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28/10/2009

Oxalá


Orixá associado à criação do mundo e da espécie humana. Apresenta-se de duas maneiras: moço – chamado Oxaguiam, e velho – chamado Oxalufam.

O símbolo do primeiro é uma idá (espada), o do segundo é uma espécie de cajado em metal, chamado ôpá xôrô.

A cor de Oxaguiam é o branco levemente mesclado com azul, do de Oxalufam é somente branco. O dia consagrado para ambos é a sexta-feira.

Sua saudação é ÈPA BÀBÁ ! Oxalá é considerado e cultuado como o maior e mais respeitado de todos os Orixás do Panteão Africano.

Simboliza a paz é o pai maior nas nossas nações na Religião Africana. É calmo, sereno, pacificador, é o criador, portanto respeitado por todos os Orixás e todas as nações. A Oxalá pertence os olhos que vêem tudo.

ARQUÉTIPO DOS FILHOS DE OXALÁ
As pessoas de Oxalá são calmas, responsáveis, reservadas e de muita confiança. Seus ideais são levados até o fim, mesmo, mesmo que todas as pessoas sejam contrárias a suas opiniões e projetos. Gostam de dominar e liderar as pessoas. São muito dedicados, caprichosos, mantendo tudo sempre bonito, limpo, com beleza e carinho. Respeitam a todos mas exigem ser respeitados.

OXALÁ - LENDA
Olodumaré entregou a Oxalá o saco da criação para que ele criasse o mundo. Porém essa missão não lhe dava o direito de deixar de cumprir algumas obrigações para outros Orixás e Exu, aos quais ele deveria fazer alguns sacrifícios e oferendas.

Oxalá pôs a caminho apoiado em um grande cajado, o Paxorô. No momento em que deveria ultrapassar a porta do além, encontrou-se com Exu que, descontente porque Oxalá se negara a fazer suas oferendas, resolveu vingar-se provocando em Oxalá uma sede intensa. Oxalá não teve outro recurso senão o de furar a casca de um tronco de um dendezeiro para saciar a sua sede.

Era o vinho de palma o qual Oxalá bebeu intensamente, ficou bêbado, não sabia onde estava e caiu adormecido. Apareceu então Olófin Odùduà que vendo o grande Orixá adormecido roubou-lhe o saco da criação e em seguida foi a procura de Olodumaré, para mostrar o que teria achado e contar em que estado Oxalá se encontrava.

Olodumaré disse então que “se ele esta neste estado vá você a Odùduà, vá você criar o mundo”. Odùduà foi então em busca da criação e encontrou um universo de água, e aí deixou cair do saco o que estava dentro, era terra. Formou-se então um montinho que ultrapassou a superfície das águas.

Então ele colocou a galinha cujos pés tinham cinco garras. Ela começou a arranhar e a espalhar a terra sobre a superfície da água, onde ciscava cobria a água, e a terra foi alargando cada vez mais, o que em Ioruba se diz IlE`nfê expressão que deu origem ao nome da cidade Ilê Ifê.

Odùduà ali se estabeleceu, seguido pelos outros Orixás e tornou-se assim rei da terra.

Quando Oxalá acordou, não encontrou mais o saco da criação. Despeitado, procurou Olodumaré, que por sua vez proibiu, como castigo a Oxalá e toda sua família, de beber vinho de palma e de usar azeite de dendê. Mas como consolo lhe deu a tarefa de modelar no barro o corpo dos seres humanos nos quais ele, Olodumaré insuflaria a vida.


OXALÁ
Um dia Oxalufam, que vivia com seu filho Oxaguiam, velho e curvado por sua idade avançada, resolveu viajar a Oyó em visita a Xangô, seu outro filho. Foi consultar um babalaô para saber acerca da viagem. O adivinho recomendou-lhe não seguir viagem. Ela seria desastrosa e acabaria mal.

Mesmo assim, Oxalufam, por teimosia, resolveu não renunciar à sua decisão. O adivinho aconselhou-o então a levar consigo três panos brancos, limo-da-costa e sabão-da-costa, assim como a aceitar e fazer tudo que lhe pedissem no caminho e não reclamar de nada, acontecesse o que acontecesse. Seria uma forma de não perder a vida.

Em sua caminhada, Oxalufam encontrou Exú três vezes. Três vezes Exú solicitou ajuda ao velho rei para carregar seu fardo, que acabava derrubando em cima de Oxalufam. Três vezes Oxalufam ajudou Exú, carregando seus fardos imundos. E por três vezes Exú fez Oxalufam sujar-se de azeite de dendê, de carvão, de caroço de dendê.

Três vezes Oxalufam ajudou Exú. Três vezes suportou calado as armadilhas de Exú. Três vezes foi Oxalufam ao rio mais próximo lavar-se e trocar suas vestes. Finalmente chegou a Oyó. Na entrada da cidade viu um cavalo perdido, que ele reconheceu como o cavalo que havia presenteado a Xangô.

Tentou amansar o animal para amarrá-lo e devolvê-lo ao filho. Mas neste momento chegaram alguns súditos do rei à procura do animal perdido. Viram Oxalufam com o cavalo e pensaram tratar-se do ladrão do animal. Maltrataram e prenderam Oxalufam. Ele, sempre calado, deixou-se levar prisioneiro.

Mas, por estar um inocente no cárcere, em terras do Senhor da Justiça, Oyó viveu por longos sete anos a mais profunda seca. As mulheres tornaram-se estéreis e muitas doenças assolaram o reino. Xangô desesperado, procurou um babalaô que consultou Ifá, descobrindo que um velho sofria injustamente como prisioneiro, pagando por um crime que não cometera.

Xangô correu para a prisão. Para seu espanto, o velho prisioneiro era Oxalufam. Xangô ordenou que trouxessem água do rio para lavar o rei. O rei de Oyó mandou seus súditos vestirem-se de branco. E que todos permanecessem em silêncio. Pois era preciso, respeitosamente, pedir perdão a Oxalufam. Xangô vestiu-se também de branco e nas suas costas carregou o velho rei. E o levou para as festas em sua homenagem e todo o povo saudava Oxalá e todo o povo saudava Xangô. Depois Oxalufam voltou para casa e Oxaguiam ofereceu um grande banquete em celebração pelo retorno do pai.

Òsányín



Osanyin, divindade das fôlhas medicinais e liturgias.
Detentor do axé (força, poder, vitalidade). Dono do segredo "awo" das fôlhas "ewe".

Sua importância é tão fundamental, que nenhuma cerimônia pode ser feita sem a sua presença.
Osanyin era o filho caçula de Yemanjá e Oxalá e, desde pequeno, vivia no mato. Tinha uma habilidade especial para tratar qualquer doença, por isso viajava pelo mundo inteiro, sendo sempre recebido com carinho pelo rei de cada tribo.

Ele recebeu de Olodumaré o segredo "awo" das fôlhas; assim, sabia qual delas curava doenças, trazia vigor ou deixava as pessoas mais calmas.
Os outros orixás invejavam o irmão, pois não tinham esse poder e dependiam de Osanyin para ter sucesso. Ele cobrava por qualquer trabalho, aceitando mel, fumo e cachaça como pagamento pelas curas que realizava.

Sangô, que era temperamental, não admitia depender dos serviços de Osanyin, e por isso pediu a sua esposa Yansã (Oya), orixá que domina os ventos, para que as fôlhas voassem em direção a todos os orixás, para que cada qual exercesse domínio sobre uma delas. Em meio a ventania,

Osanyin repetia sem parar: "Ewe, ewe assa!", que significa "oh, folhas!". E com esse tipo de reza, embora cada orixá tenha se apossado de uma fôlha, Osanyin evitou que seu poder fosse distribuído entre os irmãos, pois só ele conhecia o axé, "awo" de cada uma delas, e o segredo de pronunciar essas palavras de maneira a conservar o poder sobre elas. Com sua sabedoria, ate hoje Osanyin permanece o rei da floresta, sendo considerado o orixá da medicina.

Osanyin é a energia mágico/curativa das folhas e por isso divinizada na forma do senhor das fôlhas e dos remédios. Seu interesse pela ciência tornou-o um solitário desde que desceu do Orum (o céu Yoruba). Embrenhou-se pelas florestas e vive para descobrir e se apoderar dos segredos mágicos das folhas, sem dúvida o elemento mais importante no candomblé. Nenhuma cerimônia pode ser realizada sem sua participação. É o detentor do Axé (força, poder e vitalidade).


Cada folha é dotada de certa virtude.Existe a folha da fortuna, da felicidade, da glória, da fecundidade, da alegria, da sorte, do frescor, da brandura, da paz, da longevidade, da coragem, das roupas, do corpo, dos pés etc., mas existe também a folha da miséria, das conversas indiscretas e outras ainda mais temíveis.Sob a forma de infusão, as folhas fazem parte dos banhos de purificação ou, mais exatamente, dos banhos destinados a estabelecer uma harmonia entre o corpo e o espírito.
Toda a medicina Yoruba se baseia, portanto, nos poderes de Osanyin sobre as fôlhas-remédio e em Obaoluwaye, o Deus que rege as doenças graves. Ambos os Orixás são muito temidos, porque também entre os Yorubas, o mesmo princípio que cura, mata.
Remédio e veneno são questão de grau.
Cor: verde escuro mesclado com contas brancas ou até mesmo rajadas de verde e branco (cor do "sangue" das folhas)
Dia da semana: quinta-feiraSímbolo: Haste de ferro de cuja extremidade superior partem sete pontas dirigidas para o alto. A do centro é encimada pela imagem de um pássaro indicando seus poderes de cura e de magia.

Saudação: Ewê! Assa!
Personalidade dos filhos de Osanyin
Aspectos Positivos:
Poder de cura, raciocínio dedutivo, talento para pesquisa, solidários, inteligentes, misteriosos, constantes.P
essoas de caráter equilibrado, capaz de controlar seus sentimentos e emoções, defensor da natureza, porém sem julgar ou condenar. As simpatias e antipatias, jamais intervém em suas decisões ou influenciam em suas opiniões, são ótimos conhecedores de fôlhas.
Aspectos Negativos:
Misterioso. Especulativo, escrutinador, feiticeiro, inclinação para vícios.

Oiyá

Oyà "Yansan", é à força dos ventos, dos furacões, das brisas que acalmam, das coisas que passam como o vento, dos amores efêmeros, sensuais, das tempestades que assolam a existência, mas não duram para sempre.

Oya ajudava Ogum na forja dos metais, soprando o fogo com o fole para avivá-lo mais e mais, e assim fabricarem mais ferramentas para trabalhar o mundo e armas para as guerras de que ambos tanto gostavam. Por seu temperamento livre e guerreiro, Oya era uma companheira perfeita para Ogum.

Diz o mito que Oya era tão linda que, para fugir ao assédio masculino, vestia-se com uma pele de búfalo e saía para a guerra. Que era amiga tão leal que foi ela a primeira a realizar uma cerimônia de encaminhamento da alma de um amigo caçador ao Orum (céu).
Oya não parava jamais.

Um dia em que Xangô foi visitar seu irmão Ogum e encomendar-lhe armas para a guerra, Oyà (também conhecida como Yansan) apaixonou-se por Xangô e partiu para viver com ele. A partir de então se tornou uma das três esposas de Xangô, e com ele reina e luta, enviando seus ventos para limpar o mundo e anunciar a chegada dos raios e trovões de seu amado.

A lealdade de Oyà, sua fidelidade e sua constante abnegação jamais faltaram a Xangô em momento algum de sua vida arrojada.Algumas vezes Oyà é também o vento mau, o turbilhão, o ciclone devastador.

Precede Xangô e carrega a tempestade em suas saias, enquanto o Orixá combate, lançando raios e pedras, cuspindo fogo pela boca. Oyà, embora seja tão revolucionária e corajosa nos combates, é muito mulher e gosta muito de sua casa. Passa anos sem sair dela e fica sossegada em seu canto.

Dia da semana: quarta-feira
Cor: marrom.
Símbolo: eruxin (rabo de cavalo, signo de poder Yoruba) e Ida (espada)
Comida: akara-jé.
Saudação: Eparrei Oya! (epa hei)

Personalidade dos Filhos de Oyà-Yansan.
Aspectos Positivos:
Honestos com modos seguros, deixando os outros em desvantagem. Em geral, são pessoas alegres, audaciosas, intrigantes, autoritárias, sensuais, e depreendidas.Sinceros, amigos, rápidos, ativos, trabalhadores, livres, lutadores, companheiros, diretos, objetivos, francos, sensuais, liberais. Pessoa extrovertida, franca, amante da natureza.
Revela ambição e temperamento forte. São guerreiras e comunicativas. Maníacos por viagens.


Aspectos Negativos:
Tagarelas, volúveis, não-maternais, assanhados, encrenqueiros,
tendem a ter depressão, inquietude e ciúmes em excesso.

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